Situada na costa norte da ilha de São Miguel, com vista privilegiada sobre o Atlântico, a Casa das Calhetas é uma construção solarenga do século XVIII (1723), que preserva até hoje o charme e a nobreza das casas senhoriais açorianas. Desde a sua origem, foi residência de morgados e permanece como testemunho vivo da história e arquitetura rural abastada dos Açores.
Origem e Linhagem Histórica
O Morgadio das Calhetas, composto pela Quinta, Solar e Ermida da Boa Viagem, foi instituído por escritura de doação em 12 de novembro de 1731, confirmada por testamento a 17 de maio de 1734, pelo Capitão António do Rego e Sá (1667–1734) à sua segunda esposa, D. Rosa Pais da Silva. O Capitão António do Rego e Sá era filho do capitão Nicolau da Costa d’Arruda Botelho (1632-1689) e da sua mulher D. Inês Tavares de Mello; 6º neto em legítima varonia de Gonçalo Vaz Botelho, “O grande no corpo e na condição”, grande fidalgo do século XV e um dos primeiros povoadores de São Miguel. O último morgado das Calhetas foi José de Medeiros Bettencourt e Rego de Sá e Mello (1839–1885), casado com Isabel Augusta da Silveira Estrela (1842–1933).
Brasão de Armas
O brasão do solar ostenta o seguinte escudo:
● Escudo partido:
● I – De verde, com banda ondada carregada de três vieiras de ouro (Rego);
● II – De ouro, com quatro bandas de vermelho (Botelho);
● III – Timbre: Leão sainte de ouro, armado e lampassado de vermelho (Botelho sem bandas).
Arquitetura e Ambientes
A Casa das Calhetas possui uma arquitetura típica das casas abastadas do meio rural açoriano. Destacam-se:
● Jardim de estilo inglês, com lago e campo de críquete;
● Pátio interior em pedra de lavoura, com escadaria dupla em estilo colonial espanhol;
● Primeiro andar nobre, com:
● Quartos;
● Sala de jantar;
● Sala de estar;
● Biblioteca com soalhos em pinho resinoso e tetos de estuque;
● Halls em pedra de lavoura;
● Lareira com azulejos da Lagoa;
● Cozinha com acesso direto aos alpendres.
Todas as salas têm varandas em ferro fundido, oferecendo vistas deslumbrantes:
● Para Norte e Nordeste: o Oceano Atlântico, a costa norte da ilha e a Serra da Lagoa do Fogo;
● Para Sudoeste: o único convento de clausura dos Açores e o jardim centenário da casa.
A propriedade conserva ainda várias adegas tradicionais, onde outrora se produzia vinho, segundo a tradição vinícola da Ribeira Grande
Fontanário e Memórias Gravadas no Ferro
No exterior da casa, na Rua da Boa Viagem, encontra-se o fontanário de 1846, dedicado a Manuel de Medeiros Bettencourt da Câmara Mello (1817–1860), pai do último morgado. O portão em ferro fundido que dá acesso ao jardim é uma homenagem a D. Isabel Augusta da Silveira Estrela, esposa do último morgado das Calhetas.
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